quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O VALE DOS IRMÃOS PARTE 2

*Invasif* já se colocara de lado mesmo antes da aprovação do documento: "Estarei eu ao lado dos irmãos, é fato. Mas nao serei eu a compactuar com o princípio da infidelidade...". Tudo que lhe era possível fazer, foi feito. Restava, como pensava *Professof*, apenas o comprometimento de cada um: "Não é pelo fato de fazermos determinadas opções que sejamos traíras ou que descumpriremos o princípio da fidelidade. Pelo contrário, isso tudo serve ao efetivo da inveja. O documento atesta a inveja e a falta de perspectiva do grupo!".
*Agitaf* concordou plenamente com a opinião de *Professof* que entendia que tudo que aconteceu, desde a procura pela produção do documento por parte de *Ranzinzaf*, como a aprovação do mesmo, não passava de falta de perspectiva por parte de *Deprimif* e de *Coitadof*, assim como inveja: "*Deprimif* e *Coitadof * se entregaram aos impulsos da emoção, e barata por sinal, ao invés de tomarem a razão para compreender o que estavam fazendo!".
E assim cada um resolveu pelo seu distanciamento do Vale dos Irmãos, como uma forma de reflexão pelo ocorrido. E seria melhor assim.
*Ranzinzaf* mantinha o posto de pé, assim como a união (mesmo que conflituosa), entre os habitantes do Vale. *Deprimif * e *Coitadof * permaneceram unidos e se aproveitando de certa fama momentânea. Era como se em alguns momentos sentissem um impulso de vitória de uma batalha que, na verdade, não houve vencedores. Para alguns habitantes, aquilo soava mal já que em pouco tempo *Deprimif* e *Coitadof*  dariam conta de um certo vazio. Não alcançaram tal posto, superior ou de promoção. Pelo contrário, sentiram uma vitória sobre *Invasif*. Uma espada da justiça direcionada ao objetivo errado e por impulsos egóicos. Seria necessário o tempo para lhes ensinar a verdadeira tarefa a ser cumprida.
Para além deles, *Agitaf *, o outro *irmão fiel*, cavalgava pelo Vale das Sombras, tendo em dúvida o caminho escolhido. Sabia da credibilidade e da confiança restabelecida nos habitantes quando foi contar o fato a *Invasif*, mas não sabia se isso havia acarretado uma rixa entre os *irmãos*. Era deveras perigoso e, então, precisava refletir em outros ares e sozinho. Mergulhava em pensamentos sombrios, assim como também de esperança. Era como se "os fins tivessem justificado os meios..."; e por um tempo isso bastou.
*Fugitif *se sentia desiludido, embora defendesse a fidelidade como princípio primordial. Desiludira em vista do documento e da aprovação. Teve verdadeira repulsa por tal "gesto bastardo" e quis se retirar. Não faria como *Agitaf* que procurava elevar os pensamentos, mas orientara-se na direção de outro caminho que seguisse talvez sua própria fidelidade ou que não envolvesse os outros. Precisava disso, era seu carma e sua sina. Dava a volta ao Vale como certa, mas só quando cumprisse sua própria missão. E assim foi ao Reino do Amanhã em busca de seu destino!
Naquele momento, de inseguranças e incertezas, restava aos habitantes do Vale apenas o silêncio. Ninguém tocou os sinos dos anciãos. Pelo contrário, reinava a mais profunda meditação individual. Cada um retirava-se em seu canto e em silêncio. Não se podia prever os danos dos documentos. Diz-se por aí que mudanças fazem bem, que fazem nascer novos horizontes. Mas o Vale estava com receio! Oa habitantes tinham a sensação de terem votado por outros motivos que não o próprio bem. O silêncio era avassalador!
*Fugitif * pensava em uma coisa e lhe aconteceram outras. Sentia-se como se algo novo tivesse que acontecer. E isso não passava pelo Vale. Precisava descobrir sozinho.
*Coitadof * também se afastou. Deu um tempo na parceria com *Deprimif* e foi refletir. Mesmo assim, não deixou de receber e mandar noticias ao *irmão fiel*.
*Deprimif * fez a vez de coitado. Manteve-se isolado e partilhando de batalhas fracassadas. Não sabia que rumo seguir e nem pra onde. Preferiu seguir aos outros, embora soubesse que não levaria em nada.
Por opção estava lá *Fugitif* no Reino do Amanhã. Esperava encontrar-se com *Agitaf*. Nem que por um breve momento. Mas isso não aconteceu. *Agitaf* estava adiantado, embora no Vale das Sombras, lugar ainda mais distante que o Reino do Amanhã.
Em seu lugar e de costume, ficou *Invasif*, no aguardo do novo panorama que se formava. A vida dos habitantes do Vale ou mesmo dos *irmãos fiéis* já não passava diretamente por ele, o que causava frustração. Não tinha mais o controle das coisas ou das pessoas e entendia que isso era necessário, quer dizer- a autonomia, mas tinha receio, como um pai que precisa deixar o filho sair de casa e seguir seu caminho.
Pode se dizer que os *irmãos fiéis* entraram em colapso com a retirada de *Invasif*, ou ao menos entraram em estado de estranhamento. É o que se diz! E a vida dos habitantes do Vale seguiu de vento sem popa, como se nessa altura do campeonato tivesse que prevalecer um certo 'ajeitamento' individual.
Traçava-se no alto das montanhas uma nova era de possíveis transformações e interesses múltiplos. Não se sabe que resultado surgiria daí e nem qual seria o novo caminho. Mas certo é que nada será como antes! Resta a esperança de um bom lugar para todos.
Mas, lá com seus botões, *Invasif*, muito pensativo, sabia do esmagamento futuro dos fracos pelos fortes. Ou seja, os novos tempos trariam a separação e os princípios da união harmoniosa dos habitantes do Vale já não existiria mais. "Agora, mais do que nunca, os fortes estabelecerão as novas regras e haverá distinção. Será daí, dos que passam para o lado de cá, ou seja, para o lado dos fortes, que acontecerão as principais mudanças. Quem não conseguir chegar até lá que se despeça da vida! É uma escolha de todos e não uma imposição de um... Que comecem os novos tempos e boa escolha a todos!".

MLHSM

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