domingo, 31 de agosto de 2014

A LINGUAGEM DO BICO



Tem dia...
Que o Marcelinho só chora/ e sua mãe não sabe por que/ põe o bico e ora/ pra tentar esquecer. É um choro estridente/ escandaloso demais/ e o desespero latente/ toma conta dos pais. Pode ser por cocô/ ou pode ser a barriga/ e se for pela dor/ não adianta bico e cantiga. Pode ser também fome/ que o Marcelinho atesta/ e também pra essas horas/ não tem bico que presta. E se nada disso der certo/ e o Marcelinho chorar/ sem o bico por perto/ talvez queira brincar. Pode ser até sono/ e ele tente lutar/ ou talvez queira colo/ lugar bom para amar.

Marcelo Horta Mariano

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O BOM E O MAU CONSELHO



Pensemos por exemplos:

A começar pelo invejoso!
João dá um conselho a José.
Este conselho é realmente proveitoso para José, mas José sente inveja de João.
José sabe da qualidade e da validade do conselho e o quanto lhe pode fazer bem, mas prefere não seguir o conselho de João.
Pois segui-lo é como elevar João a um nível ainda maior que José que já sente inveja de João.
O que poderia ser um bom conselho torna-se mau por este motivo.

Passemos para o inferior!
Tem relação próxima com o invejoso.
João dá um conselho a José.
Mas José tem João como alguém inferior a ele, isto é, dotado de inteligência e de conhecimento inferiores.
Mesmo que o conselho de João lhe seja útil, José não irá segui-lo pelas divergências aferidas.
O conselho de João se torna novamente um mau conselho.
Acatá-lo seria, para José, condenar-lhe a inteligência e a superioridade em relação a João.

O terceiro é o igual!
João dá um conselho a José.
João e José estão em sintonia, ou seja, estão numa mesma situação ou próxima e tem afinidades parecidas ou igualitárias.
Como parte do mesmo contexto, sem distinções ou desequilíbrios, o conselho de João se torna valioso e plausível para José.
O conselho pode render, inclusive, trocas de conselhos entre eles.
Esta é uma situação mais considerável.

O quarto é o superior!
João dá um conselho a José.
José tem grande estima por João e considera que João tem qualidades superiores a ele para lhe aconselhar.
José prefere seguir o conselho de João e confiar em quem, a seu ver, entende mais que ele.
José se valerá da credibilidade conquistada por João.

Um conselho pode se valer de conceitos diferentes e depender, principalmente, de quem enuncia e da relação que se tem do outro. Mas, em todo caso, você conseguiu entender a conexão?

Marcelo Horta Mariano

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

DOIS POR UM E UM POR TODOS



Certo dia...
João e José resolveram fazer o mesmo investimento financeiro.
João estudou o investimento a fundo, pesquisou, leu, perguntou a economistas e empresários, dedicou-se a participar de fóruns de debates e chegou a assinar uma revista de economia para acompanhar o mercado.
Tinha a sorte decidida por ele e não por outro.
João previu o fracasso (e o possível sucesso), avaliou as perdas e prescreveu-lhe um plano B.
João sabia dos riscos. Previu isso, fez cálculos e investiu.

José também soube do tal investimento. Era o mesmo de João.
Considerava-o razoável e escutou amigos do trabalho, do bar e de sua convivência pessoal.
Todos indicavam o mesmo investimento, inclusive João, que era seu amigo.
O investimento era tido como justo e seguro.
José, então, investiu o mesmo dinheiro que o amigo João.

Em pouco tempo, João recuperou o investido e obteve lucro.
José perdeu.
Não conseguiu nem mesmo recuperar o investimento inicial.
José culpou a sorte e o amigo João pelo fracasso.
João, por sua vez, não conseguiu entender o que havia acontecido com José.
Se o valor investido era o mesmo e o investimento no mesmo lugar, porque João obteve lucro e José não?
Muitos chegaram a dizer que tudo se deveu pelo estudo e pelo esforço de João.
Mas José não entendeu da mesma forma. Culpou o seu azar e o fato de João ter sempre sorte. Também acreditou que João não lhe oferecera as dicas certas e escondeu alguma coisa para seu próprio ganho.

Mas, afinal de contas, o que aconteceu?

Marcelo Luis Horta Silva Mariano