segunda-feira, 14 de julho de 2014

O formador de opinião

Nos programas de televisão onde todos falam ao mesmo tempo. Nas discussões dos bares, em casa e/ou com os amigos. O efeito do "pra mim" que antes era questão de humildade e hoje é posicionamento e opinião posta. O falar como necessidade. Histérico e discordante do contexto. Ou até mesmo como divagação em que se 'atira' pra qualquer lado e não se mira lado algum, a não ser voltar pra si. Está aí, nestes pontos, o formador de opinião. Aquele que diz, mas não forma nada. Que cria (ou deseja criar?!) o retorno da atenção. O formador de opinião que era o exemplo, o Mestre, alguém a ser seguido, que detinha a experiência; hoje abre espaço para o qualquer um, qualquer um que deseja ser apenas o próprio interlocutor, que quer ser reconhecido como Mestre, que quer a atenção voltada para si, mesmo que nada saiba a respeito do assunto.
Nos programas de televisão isso ficou evidente. Fala-se por falar. Já houve quem dissesse que não entendia do assunto, mas, questionado, começou a acreditar que sabe. Em discussões de bares, nas casas e entre amigos, é aquele que, desentendido que é, passa pelo 'sábio'. Ou se não sabe, lê na internet, que é acessível até numa horinha de se ir ao banheiro, em meio a discussão acalorada. É aquele que, por ter ouvido falar, se posiciona, mesmo que não saiba, e tende a acreditar em seu delírio. E os efeitos do "pra mim"? Que agora sugerem posicionamento e opinião e que antes eram pontos de humildade. Ou seja, quando o Mestre falava, alguém se colocava "pra mim, eu entendo de outra forma" - dando a entender que era o Mestre quem sabia, mas havia a liberdade de expressão que era justa (talvez formasse-se aí o novo Mestre). Hoje, o "pra mim" tornou-se uma maneira de se puxar pra si o olhar, pra depois fantasiar, mesmo que temporariamente, o desejo do outro. Falar por falar como necessidade soa como ansiedade, como desespero. Como se quem não fala merecesse pouco crédito, pouco respeito. O não falante é aquele que não se posiciona, que é fraco, o burro, o que não sabe nada. E não sabe nada por que não acompanha, porque é desinformado. "Está tudo aí" - disse o pai ao filho - "se você não sabe é porque não acompanha as notícias". O assunto está aí, pra qualquer um, na internet, pra todo mundo ver. É assunto de todos. São os conhecimentos gerais.
O formador de opinião, que era o Mestre, hoje é o exigente, que exige o desejo do outro e a atenção voltada pra si. Que posta a ignorante sabedoria temporária, que nada lhe vale e que vem sem base sustentável. É o que lê na internet ou no jornal, que escuta do amigo ou na rua, que procura a informação para estar por dentro. E depois se posiciona, como o entendido, que quer a atenção, a aceitação, o seu lugar no debate, mesmo que nada saiba. É o que conta que estava lá (mesmo que em seu intimo saiba que não entende bulhufas do que estava sendo dito).
Agora... na Copa... na Copa do Mundo no Brasil... país do futebol... principalmente nos programas de televisão... tudo isso ficou muito evidente! Todo mundo sabe e ninguém sabe nada! É a fala pela fala como ponto final! Hoje, nos programas de televisão e na rua, com os amigos, o formador de opinião virou um SUCESSO!


Marcelo Horta Mariano

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